A visão humanitária e os conteúdos atitudinais são privilegiados de modo transversal no Da Vinci, em consonância com o ideário da instituição, que prima pela formação do homem integral e ser social. Acreditando que atitudes ideais não são incorporadas sem um trabalho permanente de conscientização e acompanhamento perante os alunos, a equipe do Da Vinci busca trabalhar temas sociais em seu currículo, aplicar aos espaços internos da Escola as noções de respeito à pessoa e ao patrimônio, cuidado com o ambiente e higiene pessoal, preservação e registro da memória cultural; além de viabilizar a participação dos alunos em projetos socioculturais. Nesse contexto, há extrapolação do âmbito das diversas disciplinas e do tratamento tradicional dado aos conteúdos, instigando os alunos a desenvolver habilidades e hábitos sociais, disciplinares, temporais e causais; e a canalizar os sensos de disciplina, organização e motivação para a responsabilidade social e o espírito cidadão.
No contexto dos trabalhos pedagógicos em curso, dois projetos a cargo do Ensino Fundamental bem ilustram a dimensão sociocultural de nosso currículo, sempre revisitada por práticas cotidianas. O projeto “Convivência”, desenvolvido com alunos dos terceiros anos, instiga à relação harmoniosa entre os estudantes, trazendo a paz como norteadora para o cotidiano escolar, o que leva as crianças a exercitar a tolerância e o respeito mútuo a partir da compreensão das diferenças. Já o projeto “Menor trabalhador”, realizado com os quartos anos, examina o tema do trabalho infantil em profundidade, inserindo as crianças no estudo teórico e na dimensão real do problema mediante visitas de campo e contatos com menores trabalhadores, trazendo para nossos alunos a consciência social e o desejo de denunciar práticas de desrespeito aos direitos da criança e do adolescente.

Não deixando de considerar a importância das arrecadações coordenadas pela Escola (alimentação, material escolar e roupas para doação a comunidades carentes ou a cidades abaladas por intempéries); da destinação de excedentes de nossos refeitórios para instituições assistenciais; da coleta e reciclagem do lixo produzido em nossas dependências, focamo-nos na dimensão sociocultural que extrapola o assistencialismo, o que nos leva a deter um largo repertório de vivências e ações de acordo com essa perspectiva, conforme se depreende da coletânea a seguir:
- Publicação do livro “Oratórios, Capelas e Igrejas de Santa Teresa”, reunindo: fotografias e informações sobre 130 construções religiosas da religião, mostradas através de cerca de 660 imagens coloridas, resultado de um trabalho de campo com mais de 8.000 km percorridos e participação de 43 alunos e 21 acompanhantes; resgate de fatos e personagens históricos alusivos à região; ensaios de pensamento sobre os dilemas de modernizar e preservar, bem como sobre as diferentes dimensões da preservação da memória cultural.
- Realização de gincanas beneficentes contemplando ações de beneficiamento a camadas sociais desfavorecidas e montagem de campanhas educativas sobre temas de violência, desrespeito aos direitos humanos, questões de desarmamento e descuido com o trânsito.
- Comemoração do Dia Mundial da Paz, com a preparação (por alunos) de mais de 1.000 tsurus, pássaros de papel, enviados a Hiroshima, o que gerou uma correspondência da administração da cidade à Escola informando-nos acerca da colocação das dobraduras na Praça da Paz Celestial.
- Auxílio prestado por alunos à população de Santa Teresa, em situação de calamidade pública (enchentes), resultando em mortes e destruição, sendo que os voluntários abdicaram de suas férias para vivenciar de perto uma experiência humanitária, o que mereceu reconhecimento das autoridades e moradores locais.
- Participação de alunos da Escola em movimentos/encontros visando à defesa e preservação do patrimônio histórico e cultural.
- Disseminação de informações e sensibilização quanto ao tema da Sexualidade por iniciativa de alunos voluntários, atuando perante alunos de escolas públicas, funcionários e filhos de funcionários da Escola, pertencentes a outra realidade social.
- Restauração da Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Santa Teresa (Capela dos Lambert), com a atuação voluntária de alunos e professores no manejo de materiais e técnicas de restauro, além de realização de evento cívico para celebrar a entrega do templo restaurado à comunidade, contemplando resgate de tradições italianas, dramatizações, homenagens etc.
- Entrega de projeto arquitetônico à Municipalidade de Santa Teresa, visando à restauração da primeira residência de imigrantes italianos no estado, marco da colonização italiana no país, a Casa dos Lambert.
- Reedição de livros de literatura capixaba para alunos do Da Vinci (“O templo e a forca” e “A nau decapitada”, de Luiz Guilherme Santos Neves; O Albergue dos Querubins”, de Adilson Vilaça, “Canaã”, de Graça Aranha, “Karina”, de Virgínia Tamanini), sempre agregados a projetos socioculturais contemplando resgate de fatos históricos, realização de visitas aos locais retratados nos romances e estabelecimento de comparações entre passado e presente, proposição de campanhas educativas e interferências na realidade, além de releitura das obras para o público infantil, com aproveitamento das produções assim obtidas para disseminação dos objetos de estudo perante outros leitores.
- Recuperação do processo judicial que inspirou o autor Graça Aranha a produzir o romance Canaã, num movimento de preservação da memória cultural do Estado que levou os alunos ao contato com documentos históricos e com técnicas de preservação, tudo sob orientação do Arquivo Público Estadual.
- Resgate das contribuições do professor Vittorio de Monti para a história da imigração italiana no Espírito Santo – na forma de relatos, fotografias, livros e revistas, além de acervo de objetos pessoais - e doação dos materiais organizados por iniciativa de professores e alunos voluntários para o Museu de Araguaia, compondo a memória cultural da região.
- Realização de experiências de intercâmbio intermunicipal envolvendo o Da Vinci e escolas públicas de regiões interioranas ou pequenas cidades do Espírito Santo, inserindo nossos alunos em outro contexto de vida (escolar/familiar/social) e acolhendo intercambistas de diferentes realidades regionais para viverem a mesma experiência, favorecendo a convivência entre as diferenças e a percepção das singularidades culturais do Estado, sob diferentes perspectivas.
- Trabalhos de integração feitos com o morro São Benedito (vizinho à Escola) através do projeto “Cidadania/Arte em cena”, fazendo nossos estudantes conviverem com a realidade social e escolar de alunos de outras camadas sociais, instigando à troca de experiências e demonstrações culturais de ambas as partes.
- Participação de nossos alunos em simulações de encontros internacionais de negociação diplomática realizados pela Unesco.
- Edição e lançamento do livro “Um sonho de paz”, com desenhos e poemas alusivos ao tema, agregando produções de alunos do Da Vinci e de escolas públicas, num movimento de integração social e estímulo à diversidade.
- Investimento permanente da instituição na formação de funcionários, incentivando-os a desenvolver talentos que lhes permitam ampliar suas frentes de atuação, tornando-se profissionais autônomos e competentes em diferentes especialidades e desenvolvendo olhar empreendedor para mudança de suas histórias de vida.
Como se depreende da diversidade das ações aqui resgatadas, abraçar o projeto de uma escola que prioriza a dimensão sociocultural do currículo é incorporar uma filosofia de trabalho que não se esgota e permanece sempre atenta ao entorno, tendendo a transformar a escola em lugar de partilha e riquezas existenciais, sempre com o coletivo e o social prevalecendo sobre o individual e o privativo.
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